...ele viu de longe um brilho, diferente, difuso, talvez pela distância...ele se aproximou e viu um tesouro de rara beleza...só que o tesouro não era então simples material...este tesouro se movimentava, seu peito inflava e trazia para dentro de si parcelas do mundo carregadas pelo ar, seus olhos perscrutavam ao redor de si...seus olhos grandes e escuros...olhos estes que se depararam com os pequenos olhos dele, que se surpreenderam...sua voz não era ouvida, mas ele podia antecipar como seria ouví-la; sim, pois o tesouro tomara a graciosa forma feminina, mais preciosa que o ouro e o diamente...e ficaram assim, por um tempo imensurável...estavam frente a frente, mas um vidro os separava...ele tentou buscar suas mãos, enquanto ela ainda estava surpresa, para em seu lugar a observá-lo...ele tentou transpor a barreira vítrea, e ela se surpreendeu com suas tentativas sagazes de aproximar-se...e eis que o vidro se rompeu...e então ele atravessou e foi deparar-se com a continuação do deserto em que caminhava...as migalhas pelo chão retratavam uma miríade de olhos que o observavam...olhos de um anseio indescrítivel...anseavam saber o que aconteceria e por que ele os buscava tão intensamente, mas isto nem ele sabia...apenas sentia-se maravilhado e tentava, mesmo que inefetivamente, chegar até aquela que o capturara com seu brilho...ela, sem saber, esperava...ele, sem sucesso, buscava...os destinos dos dois talvez nunca se encontre...mas ele, assim como ela, estão em seus respectivos lugares a contemplar a lua e a se perguntar por que tão distante, por que assim, por que agora...
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário